adresse de la MJC et du Moulin du Monde à Ris-Orangis

Agenda
 
Musiques Danses CMT
Compagnie de théâtre en résidence
 
Enfance/Jeunesse
International Actions

Brésil

Etats-Unis

Israël

Royaume-Uni

Suède

Salle de spectacle
Contact/Plan d'accès
Actualités des MJC
 

 

 

 

 

UNIVERSIDADE POPULAR DE SAÚDE


A Universidade Popular de Saúde é uma experiência local em forma de unidade de ação especifica. São lugares de produção de um saber, ao mesmo tempo estranho e complementar, visando encontrar soluções locais a problemas globais.
Universidade significa o sentido da totalidade com um conjunto de pessoas.
Popular porque tem vocação a ser a mais larga possível, a desenvolver seu campo de atuação no grande perímetro.
Tem a missão de resgatar em um território predefinido os saberes populares e permitir as populações reapropriar-se das suas vidas e dos seus destinos.
 Surge por uma iniciativa do Centro de Atenção Psicossocial de Quixadá como estratégia de enfrentamento do sofrimento psíquico na contemporaneidade.
Observamos nos últimos anos uma mudança no perfil da demanda que é encaminhada ao CAPS de Quixadá. Este, implantado em 1993 para realizar a referência da política de saúde mental teve como foco prioritário o enfrentamento das psicoses e a redução das internações em hospitais psiquiátricos. Passados dezessete anos percebe-se que o número de pessoas com diagnóstico de psicose corresponde somente a trinta por cento do total de atendimentos. Prevalece uma demanda de transtornos ansiosos generalizados nem sempre de origem psicopatológica. Percebe-se um adoecimento psíquico que parece estar relacionado à forma de viver da sociedade moderna, e é essa nova demanda que hoje superlotam nossas agendas.
Segundo Benasayag (2005), “o aumento da demanda cuja queixa traz um sofrimento que não é só de origem psicopatológica trata-se de um desconforto generalizado, um sentimento permanente de insegurança e precariedade. A esse mal-estar, freqüentemente os pacientes dão nome de estresse ou depressão”.
A amplitude das questões que envolvem o sofrimento psíquico tem nos levado a questionar a origem desse mal-estar e como nós, técnicos do sofrimento psíquico, devemos enfrentar estes desafios. Que novas práticas poderão dá conta desse fenômeno, visto que as técnicas desenvolvidas para tratar a psicose não têm respostas efetivas para o sofrimento psíquico na contemporaneidade .
É a partir dessas inquietações e da motivação de não nos acomodarmos as praticas sem sentido que se toma a iniciativa de criarmos a primeira Universidade Popular de Saúde do Brasil, implantada na cidade de Quixadá, no estado do Ceará.


CARACTERISTICAS DO MUNICIPIO DE QUIXADÁ

O município de Quixadá distando a 158 km da Capital do Estado, Fortaleza, pertence à Macrorregião do Sertão Central do Estado do Ceará, que é constituída por 21 municípios. Essa Macrorregião circunscreve uma área de 29.683,5 Km², correspondendo a 20,0% do território cearense, mas concentra apenas 7,4% da população estadual, registrando uma baixa densidade demográfica de 19,7 hab/Km², uma das menores do Estado, comparativamente às demais macrorregiões.
 Sua população, segundo dados do IBGE de 2007, é de 76.105 habitantes, dos quais, cerca de 70%, residem no meio urbano, concentrada na sede do município e dispersa em mais 12 distritos: Califórnia, Cipó dos Anjos, Custódio, Daniel de Queiroz, Dom Maurício, Juá, Juatama, Riacho Verde, São Bernardo, São João dos Queiroz, Tapuiará e Várzea da Onça.
Apresenta uma densidade de 37,6 hab/Km², inferior à densidade média estadual, que é em torno de 55,0 hab/Km².
 O município de Quixadá é considerado de porte médio (população entre 50 a 100 mil habitantes) em função da sua população de 76.105 habitantes (2007), que representa 0,93% da população do Estado. As estimativas do IBGE para 2009, entretanto, apontam para Quixadá uma população de 80.447 habitantes.
O município de Quixadá, quase todo assentado no substrato cristalino e com fortes restrições do clima semi-árido para a exploração agrícola e mesmo para a pecuária, apresenta uma situação peculiar e bastante complexa em relação à economia. Por esse motivo depende principalmente do setor terciário (comércio e serviços) que é responsável por mais de 78% do PIB municipal, além de ocupar aproximadamente 59% da população economicamente ativa nesse setor. Vale lembrar que, deste segmento populacional, 51% são trabalhadores autônomos do chamado setor informal. O comércio do município está concentrado no Centro da cidade, o qual recebe semanalmente centenas de moradores das áreas rurais e de municípios vizinhos como Choró, Banabuiú, Ibicuitinga e Ibaretama. Vale ressaltar, o espraiamento do comércio nas áreas urbanas dos distritos, com identificação clara de pequenos negócios e serviços.
A Pecuária é representada principalmente pela avicultura, bovinocultura leiteira, ovinocultura e a caprinocultura. A avicultura, juntamente com o comércio, é o principal setor da economia quixadaense.
O município possui pequenas indústrias alimentícias, de tecelagens e calçadistas. Entre as grandes instalações industriais existe uma fábrica de calçados, a Mississipi Calçados e a usina de Biodisel.
O setor do turismo constitui-se numa grande potencialidade local capaz de alavancar substancialmente as intervenções com vistas ao crescimento econômico sustentável. Além do complexo Açude Cedro/Pedra da Galinha Choca, principal ponto turístico, o município conta com outros atrativos, devendo-se citar: a Pedra do Cruzeiro, a Serra do Estevão/Casa de Repouso São José, o Santuário Nossa Senhora Rainha do Sertão/Serra do Urucum, o Chalé da Pedra e as fazendas Mãe e Fazenda Não Me Deixes, pertencente à família da escritora Rachel de Queiroz. Todos esses atrativos somados a outros possuem forte apelo, especialmente, para a exploração do ecoturismo, devido à beleza de suas paisagens exóticas formadas por monólitos de formação geológica milenar e as peculiaridades de biodiversidade da região. Saliente-se que as condições de pressão atmosférica e da temperatura bem como o relevo, propiciam para Quixadá elevado potencial para a prática de esportes radicais como Vôo livre (parapente e asa-delta), Trikem, Off - road , Rapel, Multem Bike e MotoCross.
Na área da educação, no que se refere à infraestrutura escolar, o município conta com 99 estabelecimentos de ensino, sendo 75 escolas da rede municipal, 09 pertencentes à esfera estadual e 15 escolas exploradas pela iniciativa privada.
No que se refere ao Ensino Superior, Quixadá conta com a Faculdade de Educação Ciências e Letras do Sertão Central - FECLESC, Unidade da Universidade Estadual do Ceará; Um Campus Sertão Central da Universidade Federal do Ceará e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará; Um Pólo da Universidade Aberta do Brasil – UAB e, dois Campi da Faculdade Católica Rainha do Sertão.
Na área do Ensino Médio Profissionalizante, que vem contribuindo, decisivamente, para elevar o perfil tecnológico da mão-de-obra do Município de Quixadá e da região Central, o município dispõe de uma unidade do Centro Vocacional Tecnológico - CVT, ofertando cursos nas áreas de eletricidade, bombeiro hidráulico, irrigação, entre outros.
Quanto à infraestrutura na área da saúde pública, o município de Quixadá conta com 26 Unidades de Atendimento, sendo 02 (dois) hospitais gerais, 16 Unidades Básicas de Saúde da Família, 01 Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), 01 clínica de Fisioterapia, 01 Clinica de Especialidades Médicas, 01 Clínica de Hemodiálise, 01 Centro de Saúde Reprodutiva, 01 Centro de Controle de Zoonose, 01 Centro de Atenção Psicossocial e 01 Hemocentro Regional.
No que diz respeito à atenção básica, o município foi pioneiro na implantação do Programa Saúde da Família, em 1994. A estratégia do PSF prioriza as ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde das pessoas, de forma integral e contínua.   PSF incorpora e reafirma os princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS) - universalização, descentralização, integralidade e participação da comunidade - contribuindo para a redução na taxa de mortalidade infantil, melhoria nas condições de saúde e desenvolvimento das crianças e atendimento preventivo às mães.
Com relação saúde mental o município é referencia na construção de uma política de atenção psicossocial, voltada para a cidadania. O CAPS de Quixadá surge na década de 1990 quando no Brasil, a partir, da portaria 224/92 surgem os primeiros serviços extra-hospitalares de saúde mental.  Sendo o terceiro serviço desta natureza implantado no Estado do Ceará. Serviços esses destinados prioritariamente a pacientes psicóticos, egressos de hospitais psiquiátricos.
Em dezembro de 1993 o CAPS de Quixadá  é implantado  articulado com a sociedade. Ele nasce com o princípio do acesso universal, de ser para a cidade, para modificar a cultura da cidade. “Nasce literalmente na rua”, interagindo com a população, convocando a população a discutir o preconceito e a segregação que envolve as pessoas portadoras de transtorno mental. Já na implantação realiza a sua primeira jornada quixadaense de saúde mental e cidadania a fim de compartilhar com a sociedade a responsabilidade de construir uma política de atenção psico-social. Nos primeiros anos se fez necessário focar no enfrentamento das psicoses, assim, como na redução das internações em hospitais psiquiátricos. O indicador mais significativo foram as reduções de internações para os hospitais psiquiátricos de 100 para 06 a média anual.

DISTRITO DE JUATAMA
A Universidade Popular de Saúde está sendo desenvolvida no distrito de Juatama, escolhido por ter fácil acesso, por ser  de media complexidade em relação aos outros distritos do município e por termos encontrado receptividade da comunidade local.

O Distrito de Juatama, localizado na região centro do município de Quixadá sitiada numa área de 30 Km2 à 16 Km da sede (IBGE, 2005). Densidade populacional – 2.657 habitantes.
Tem dois representantes político na câmera dos vereadores.
Sua atividade econômica é diversificada vai da agropecuária ( criação bovina, caprina e suína), produção de leite e seus derivados, agricultura ( plantio do milho e do feijão). Agro- indústria (política de incentivo ao plantio da mamona), o turismo ecológico e esportivo privilegiado pelas correntes aéreas da “pedra dos ventos” de juatama, para a prática de vôos de asa delta e parapentes.  Infra-estrutura de acomodação e lazer do hotel Pedra dos Ventos na sede do distrito.  Por fim, a industria bioquímica de processamento do Biodisel.
Em Juatama existe 20 estabelecimentos comerciais, dentre lojas de variedades, eletro moveis, bares e o mercado público que promove semanalmente a feira-livre, onde são comercializados produtos derivados das atividades econômicas das localidades e fazendas da região.
O serviço educacional é organizado por três estabelecimentos educacionais: a pré-escola J.M.J atendendo a 184 crianças na faixa-etária entre 02 e 05 anos com seis profissionais de educação, escola de ensino fundamental Renato Carneiro atendendo a partir de seis anos, 447 alunos com um quadro de 12 profissionais da educação no ensino fundamental I e no fundamental II com 366 alunos e o ensino médio conta com 05 salas de aula e faz parte da escola de ensino fundamental e médio Abraão Baquit do bairro Campo Novo da sede do Município, atende a 221 adolescentes num total de 1228 alunos em todos os níveis de escolarização.
Há 03 associações comunitárias: vale de são Caetano ( 170 associados – locatário do DENOCS), associação Jesus Maria José ( paróquia J.M.J, 50 associados) e sindicato do Riacho do Meio ( associação de produtores, leiteiro, e agricultores = 27 familias).
A cultura religiosa se manifesta com: paróquia católica e igrejas adventistas
As manifestações culturais principais são: encontro dos grupos de bumba meu boi na festa religiosa da paróquia que homenageia a sagrada família no mês de março e a carvalhada encontro de agricultores montando cavalos vinho de todas as localidades da região para os festejos de aniversário do distrito no mês de setembro.
O serviço de saúde contempla a política do ministério da saúde no programa de Saúde da Família. Com um posto base devidamente instalado para atender serviços de prevenção e serviço ambulatorial. Com uma equipe de 10 servidores, contendo dentre eles: Clinico geral, Enfermeiro (a), Dentista, Auxiliares e técnicos de enfermagem e 10 agentes de saúde, distribuídas nas localidades.

DELIBERAÇÃO DA CONSTRUÇÃO DA UNIVERSIDADE POPULAR PELO CAPS DE QUIXADÁ

Deliberamos a implantação da UPS a partir de uma identificação de uma crise na sociedade atual, e necessidade de enfrentamento dessa crise, (dentro de uma dimensão ética), observando e interpretando as suas especificidades.
Observamos um aumento da procura no CAPS de Quixadá de pessoas com diagnóstico de ansiedade e “depressão”. Onde realizamos levantamento epidemiológico, analise clinica e critica da demanda do serviço e estudos sistematizados. Posteriormente, foi feito uma articulação com a estratégia saúde da família e comunidade, seguida da identificação dos sintomas e dos usuários em sofrimento psíquico na contemporaneidade.
A partir daí temos organizado o coletivo formado pelas pessoas que correspondem ao perfil.

 

PERCURSO DA CONSTRUÇÃO DA UPSQ

  • 1.Identificação da mudança do fenômeno da demanda para os Serviços de Saúde Mental ( CEDEPSI (2002), CAPS de Camocim (2005), CAPS de Quixadá (2007).
  • 2. Identificação da crise na Saúde Mental (2002 /2007)
  • 3. Desafio dos estudos para compreender e enfrentar a mudança do fenômeno e a crise (2002/2007).
  • 4. Grupo de Estudo ( 2005- Equipe do Instituto Dr.Vandick Ponte, Equipe do CAPS de Camocim, Prof.Dr. Jackson Sampaio, Prof.Reginaldo e o Psicanalista Mardônio Coelho Filho).
  • 5.  Encontro com as teorias de Benasayag, Umberto Galimberti – (Dez- 2007 )
  • 6. Encontro com a teoria de outros autores (Spinoza, Bauman, Ehremberg, Angélique Del Rey , Favoret ).
  • 7. Realização do II Seminário Internacional do Semi-árido (Dez-2008) e do III Seminário Internacional do Instituto Dr. Vandick Ponte (abril-2009).
  • 8. Realizações de supervisões mensais em 2009, em Quixadá e Capistrano, discutindo a temática do Sofrimento Psíquico na Contemporaneidade, as diversas teorias, dúvidas, polêmicas e divergências.
  • 9. Vários encontros com o Prof.Jackson Sampaio,aos sábados, para discutir nossas hipóteses/ percursos dos trabalhadores de saúde mental/ militantes sociais no Brasil / Itália.
  • 10- Vários encontros para discussão/ Supervisão entre as equipes dos CAPS de Quixadá e ESF – Juatama e entre as equipes dos CAPS de Capistrano e as equipes da ESF do município.
  • 11- Vários encontros para discussão entre as equipes dos CAPS de Quixadá,CAPS de Capistrano,  a equipe da CASSI e a equipe do Instituto Vandick Ponte, realizados na sede da CASSI/ Fortaleza.
  • 12-Vários encontros para discussão do NUEP e Supervisão com Prof.Cleide no Instituto Dr. Vandick Ponte.
  • 13- Discussão entre as teorias explicativas e as possibilidades de enfrentamento desta crise nestes diversos encontros.
  • 14. Deliberação pela reorganização dos CAPS (Quixadá e Capistrano).
  • 15. Deliberação pela criação da UPSQ/ Quixadá em Juatama.
  • 16. Elaboração do MAPA da UPSQ.
  • 17. Elaboração da estratégia de desenvolvimento da UPS – Quixadá
  • 18. Realização de reuniões com os usuários de Juatama, para explicar a construção da UPSQ.).

CONSTRUÇÃO DA UPSQ
Realização do primeiro encontro em 12/11/2009 – foram convidados todas as pessoas identificadas pela estratégia saúde da família com possível diagnóstico do sofrimento psíquico na contemporaneidade. Contamos com a participação de 50 pessoas da comunidade, as equipes ESF e CAPS, e com a presença da Prof. Cleide Carneiro e  do Dr. Miguel Benasayag. Neste primeiro encontro foi discutida a proposta da UPS. Havendo uma boa participação na comunidade.
A partir de então os encontros passaram a ser mensais onde a população do distrito da  Juatama vem discutindo a  problematização da região, muitos dos fatores que contribuem para o seu sofrimento psíquico. Dentre a discussão ilustramos com algumas falas do que seria a UPSQ para eles:

      • “..Troca de experiências”
      • “Não tem Professor/ Tem Facilitadores”
      • “Vamos Aprender”
      •  “Discutir Problemas”
      • “Resolução com mais saúde e menos remédios”
      • “Espaço de discussão dos problemas...”

Com relação aos  problemas que afetam a saúde psíquica e ao bem estar social e mental foram levantados :

    •  “Cidade – Política X Adversidade”
    • “Família – Relacionamentos”
    • “Relações dos Governos”
    • “Segurança – Brigas, Bebidas”
    • “Ociosidade de dia – Lazer dos Jovens”
    • “Falta de Emprego para os Jovens”
    • “Falta de Água e Saneamento...”

 

Depois de alguns encontros foram escolhidos pela própria UPS três problemas que estavam afetando a saúde da população de Juatama:

  • Falta de saneamento básico
  • Falta de Lazer
  • Falta de trabalho e geração de renda

No dia 26 de agosto deste ano foi realizado o I Seminário  da UPSQ, onde foram citadas estratégias para resolução destes problemas. Estavam presentes a comunidade da Juatama, destacando alguns representante das associações das localidades, trabalhadores  sem terra , fazendeiro,as equipes de saúde do CAPS, NAS, ESF, a Secretária de Saúde e a representante da secretaria do desenvolvimento social.

As estratégias apontadas foram:

  • Lazer para a comunidade
  • Melhor aproveitamento da quadra de esportes para a juventude
  • Grupos de atividade física para a terceira idade
  • Necessidade de água encanada, projeto da adutora para a região
  • Capacitação de cursos oferecidos pelo SEBRAE
  • Cursos de corte e costura
  • Olaria (fazer tijolos,  telhas e vender)
  • Aplicação dos projetos da agricultura local como: plantio do milho e do feijão, apinocultura, produção de leite, capinocultura e etc.

   
Para operacionalizar as estratégias defendidas, foram aprovadas duas comissões:

  • Comissão de trabalho;
  • Comissão de Lazer.
  • Comissão de Saneamento Básico

Será dada a continuidade dos encontros mensais nos quais serão encaminhados os trabalhos das comissões.

 

 

SOLICITAÇÃO DE RECURSOS

No dia 15 de abril do corrente ano, a UPSQ recebeu  mais uma vez o filosofo Dr. Miguel Benasayag e outros pesquisadores franceses. Onde se deu um bom encontro entre comunidade e pesquisadores.  Na ocasião foi solicitado um computador pelos integrantes da universidade como o objetivo de facilitar a comunicação entre eles e os pesquisadores, fortalecendo o intercâmbio entre as Universidade Populares e os Países.
  Esse computador será instalado na UBS( Unidade Básica de Saúde), para que todos tenham acesso e ficará sobre a responsabilidade de um membro da UPSQ que também é agente comunitária de saúde.

 

 

haut de page


 

 

Carta aos trabalhadores de Saúde Mental do Ceará

 

Os trabalhadores de Saúde Mental abaixo-assinado, reunidos no pré-encontro e no III Seminário Internacional de Saúde Mental em parceria com os professores Cleide Carneiro, José Jackson Coelho Sampaio, Henrique Figueiredo Carneiro e com os pesquisadores franceses Miguel Benasayag e Angélique Del Rey. Vem, por meio desta, reconhecer a importância do nosso papel na História da luta em defesa da reforma psiquiátrica brasileira e os avanços conquistados com a mesma. Porém, constatamos que neste momento precisamos avançar para enfrentar os desafios atuais, assim reconhecendo que estamos na terceira fase da Reforma Psiquiátrica Brasileira depois do enfrentamento do asilo, depois da implantação dos equipamentos substitutivos.   Manifestamos nossa compreensão a respeito do sofrimento psíquico contemporâneo e dos atuais desafios implicados nesse fenômeno atual, destacados nos pontos abaixo:

1. Propomos-nos criar a Rede da Universidade Popular (UP) e os Laboratórios Sociais (LS) em Fortaleza e no Estado do Ceará, em articulação com a rede de laboratórios sociais e universidades populares que trabalham com o Collectif Malgré Tout (Coletivo Apesar de Tudo) na França e na Itália.
As UP e os LS têm como vocação o desenvolvimento de experiências locais de produção popular de saberes teóricos e práticos sobre a vida, nossas sociedades e nosso mundo, em todas as dimensões dessas questões apresentadas como globais e distantes, e que controlam nossas vidas e nossas sociedades, deixando-nos na impotência, na tristeza e no sofrimento. Não tendo como vocação a simples distribuição de saberes que tentaria “educar o povo”.

2) Os macro-poderes, ao nível mundial, produzem tristeza e ignorância, mãe da impotência. Desejamos dar um tratamento local e concreto às questões ditas globais, territorializar essas questões e problemáticas para nos reapropriar das nossas vidas e das nossas sociedades. As UP e os LS não distribuem saberes, não divulgam nenhuma linha política, mas produzem localmente saberes oriundos de práticas de pesquisa consistentes e solidárias.

3) A novidade permanente da técnica apaga diariamente os traços dos saberes teóricos e práticos históricos, e desenraizam os indivíduos e as sociedades produzindo desterritorialização. Vivemos num mundo possuído por técnicas que 90 % da população ignoram o seu funcionamento. É por isso que afirmamos a necessidade de produzir saber capaz de superar essa separação. Consiste também em superar a separação entre teoria e prática: afirmamos que as pessoas possuem saberes sobre suas vidas e o mundo, dos quais estão separadas e sofrem.

4) Os saberes e as técnicas nunca estão realmente neutros, e geralmente funcionam ao serviço dos poderes que os produzem.  As estruturas sociais nas quais vivemos produzem também uma redução das capacidades até o ponto de fazer desejar de maneira disciplinada e obediente tudo o que o poder econômico obriga a produzir e consumir.

5) A produção de novas formas de desejo e de vida não pode realizar-se de maneira centralizada desde um poder qualquer. É por isso que os LS e as UP são lugares hoje historicamente necessários de experimentação de novas formas de sociabilidade, de desejo e de pensamento.

6) Cada LS ou UP desenvolve eixos de pesquisa e de práticas a partir do trabalho concreto das pessoas que os compõem, seguindo, nos seus locais, o que aparece como eixos importantes para entender e agir sobre o mundo. O intercâmbio e o trabalho em rede têm como vocação enriquecer nossas experiências na base da diferença, às vezes muito importantes, da singularidade que tratamos, compartilhando ao mesmo tempo a problemática central, base da nossa unidade de rede. Dá-se o objetivo de construir na nossa época as ferramentas de resistência ao crescente apartheid que separa os homens e as mulheres da sua potência de agir.

7) Os eixos de trabalho e pesquisa de cada LS ou UP precisam ser concebidos como verdadeiras pesquisas singulares. No concreto do eixo abordado, encontramos uma multiplicidade de dimensões e de problemáticas globais. Pensamos que a globalidade, ou seja, o mundo, não é a soma abstrata de situações concretas. A globalidade, “o mundo”, é o que existe sob modos e formas diferentes, em cada situação. Não encontramos os graves problemas do mundo abstraindo-nos das situações concretas, mas aprofundando-as. Partimos do ponto em que o mundo se expressa na nossa situação, e que o trabalho da UP ou do LS consiste em desenvolver o mundo a partir dessa situação. O trabalho acerca de uma singularidade também é o que chamamos de devenir minoritário. Uma problemática “minoritária” é aquilo que não fala de todo mundo, mas fala para todo mundo. As sociedades não são construídas por maiorias disciplinadas e normalizadas. A maioria é ninguém, a minoria é todo mundo: os homens, as mulheres e os ecossistemas sempre estão territorializados sob uma forma minoritária.

8) Resistir é criar. Resistir hoje à destruição da vida, das sociedades, do ecossistema, não pode simplesmente passar pelo confronto com as forças econômicas ou outras forças de destruição. Devemos criar as novas possibilidades, porque na tristeza dos nossos contemporâneos, a superação da nossa realidade é por enquanto inimaginável. 

9) Resistir também é não desejar o poder, mas desenvolver a potência múltipla da vida. A ilusão a partir da qual somente se pode mudar a vida desde locais centrais de poder, nos deixa na obediência e na espera. Desenvolver a potência múltipla, conflitante e contraditória, nos permite, ao contrário, sermos, em cada situação, produtor de emancipação.

10) As sociedades contemporâneas, desamparadas, tendo perdido a esperança de um  paraíso na terra, não sabem mais como agir em relação às tendências e realidades negativas e destrutivas. Assumimos o fato que o negativo é estrutural e não acidental no fenômeno da vida sob todas suas formas. Devemos aprender a viver com o negativo, sem proceder de maneira covarde e egoísta, identificando o negativo com pessoas, grupos, culturas ou religiões. Uma sociedade que não tolera o negativo multiplica a violência em nome da salvação da civilização.

11) A solidariedade implica a criação de práticas sociais capazes de dar as costas à apartação, ao medo, que ao favorecer a ideologia da insegurança, acabam destruindo os laços sociais, até a capacidade mesma de pensar e agir. Os problemas sociais não podem, do nosso ponto de vista, serem resolvidos pela exclusão, por muros e guardas armados. Da mesma forma, os problemas individuais não podem ser, somente, tratados por moléculas químicas e pelo adestramento comportamental das pessoas. Afirmamos que a sociedade é todo mundo, e que cada problema não deve ser assumido de modo impessoal e genérico, mas de modo concreto, do jeito como se apresentam em nossa situação, para nossa sociedade. Opomos-nos à idéia que se deva proteger a sociedade de membros considerados como potencialmente perigosos para ela. Trata-se, ao contrário, de construir mecanismos de integração orgânica com o que é constituído, sempre, como negativo.

12) Em Fortaleza e no Ceará, as UP e os LS emergem de um grupo de trabalhadores de saúde mental e de trabalhadores sociais que, constatando que a crise social e histórica tem produzido um verdadeiro novo sofrimento psíquico contemporâneo, deduzem que não é possível querer responder à esse novo sofrimento  proveniente do novo “mal-estar na civilização”, somente a partir da instituição psicológico-psiquiátrica. Torna-se necessário criar lugares mistos além dos existentes, para poder assumir esse novo sofrimento sem patologizar e sem fazer crer que o mal-estar atual poderia ser resolvido por técnicas e técnicos.

13) As UP e os LS centrados na questão da saúde, também devem tornar-se um lugar de resistência ao modo de dominação  hegemônico, que existe sob a forma de um biopoder e de uma biopolítica, que  consistem no controle das populações pelo controle direto dos modos de vida,  circulação, consumo, relação com o próprio corpo, e se serve dos saberes políticos e bio-médicos para agir em nome do bem. Desenvolver práticas de emancipação centradas na saúde é essencial para opor-se à essa nova forma de poder.

14) Estamos convencidos que,  ara agir, precisa-se de um modelo que nos diga para onde ir e como ir. Pensamos, ao contrário, que é justamente graças à ausência de um modelo e de uma finalidade preestabelecidos que múltiplos projetos abertos, como também múltiplas práticas podem, de maneira contraditória e conflitante, desenvolver diferentes maneiras de abordar e de superar os problemas da nossa época. As UP e os LS são lugares que, ao resistir à disciplina da etiquetagem social, permitem que a multiplicidade e a multidimensionalidade das pessoas se desenvolvam por meio de um trabalho de construção de novas possibilidades teóricas e práticas. Cada UP ou LS, no Brasil, na França, na Itália e na Argentina, desenvolve em toda liberdade os eixos que considerem necessários, compartilhando ao mesmo tempo sua produção com os outros lugares de experiências.

Para concluir, convidamos os trabalhadores de saúde mental a participarem do coletivo internacional proposto, para constituirmos um grupo de estudos/pesquisa com o objetivo de ampliarmos a 3ª fase da reforma psiquiátrica brasileira, que é o enfrentamento da problemática oferecida pelos novos sujeitos da contemporaneidade, sem perder nossa referência de defesa da cidadania dos doentes mentais e dos avanços de inserção social para os mesmos.

 

Fortaleza, 24 de abril de 2009

 

 

haut de page


 

 

 

INSTITUTO DR. VANDICK PONTE

envoyé par MJCRISORANGIS

 

 

haut de page


 

 

 

 

Manifeste de Fortaleza


1) Nous proposons la création du réseau d'universités populaires et laboratoires sociaux à Fortaleza et dans la région du Ceara brésilien, en articulation avec le réseau de laboratoires sociaux et universités populaires qui travaillent avec le Collectif Malgré Tout en France et en Italie.

Les UP et LS ont comme vocation le développement d'expériences locales de production populaire de savoirs théoriques et pratiques sur nos vies, nos sociétés et notre monde, dans toutes les dimensions de ces questions présentées comme globales et lointaines, et qui dirigent nos vies et nos sociétés, nous laissant dans l'impuissance, la tristesse et la souffrance. Elles n'ont pas comme vocation une simple distribution de savoirs qui tenterait « d'éduquer le peuple ».


  1. Les macro-pouvoirs, au niveau mondial, produisent la tristesse et l'ignorance, mère de l'impuissance. Nous souhaitons donner un traitement local et concret aux questions dites globales (territorialiser) ces questions et ces problématiques pour nous réapproprier nos vies et nos sociétés. Les UP et LS ne distribuent pas de savoirs, ne divulguent pas une ligne politique, mais produisent localement des savoirs issus de pratiques de recherche sérieuses et solidaires, qui visent à nous réapproprier nos vies.
  2. La nouveauté permanente de la technique efface quotidiennement les traces des savoirs théoriques et pratiques historiques, et déracine les individus et les sociétés (déterritorialisation). On vit dans un monde possédé par des techniques : 90% de la population en ignore le fonctionnement. C'est pourquoi nous affirmons la nécessité de produire du savoir capable de dépasser cette séparation. Il s'agit aussi de dépasser la séparation entre théorie et pratique : nous affirmons que le gens possèdent des savoirs sur leurs vies, la vie et le monde, dont ils sont séparés et dont ils pâtissent.
  3. Les savoirs et les techniques ne sont jamais tout à fait neutres, et en général ils fonctionnent au service des pouvoirs qui les produisent. Les structures sociales dans lesquelles on vit produisent aussi une réduction des capacités désirantes jusquà faire désirer de façon disciplinée et obéissante tout ce que le pouvoir économique oblige à produire et à consommer.
  4. La production de nouvelles formes de désir et de vie ne peut pas se réaliser de façon centralisée depuis un pouvoir quelconque. C'est pourquoi les LS et UP sont les lieux aujourd'hui historiquement nécessaires d'expérimentation de nouvelles formes de sociabilité, de désir, et de pensée.
  5. Chaque LS ou UP développe des axes de recherche et de pratique à partir du travail concret des personnes qui les composent, en suivant ce qui, dans leurs lieux, leur apparaît comme axes importants pour comprendre et agir sur le monde. L'échange et le travail en réseau a comme vocation d'enrichir nos expériences sur la base de la différence parfois très importante de singularité que nous traitons, tout en partageant la problématique centrale, le socle de notre unité de réseau. Elle se donne pour objectif de construire dans notre époque les outils de résistance à la séparation, à l'appartheid montant, qui sépare les hommes et les femmes de leur puissance d'agir.
  6. Les axes de travail et recherche de chaque LS ou UP sont à concevoir comme de véritables recherches singulières. Dans le concret de l'axe abordé, nous trouvons une multiplicité de dimensions et de problématiques globales. Nous pensons que la globalité, c'est-à-dire le monde, n'est pas la somme abtraite des situations concrètes. La globalité, « le monde », est ce qui existe sous des modes et des formes différentes, dans chaque situation. On ne trouve pas les graves problèmes du monde en s'abstrayant des situations concrètes, mais en les approfondissant. Nous partons de la base que le monde s'exprime dans notre situation, et que le travail de l'UP ou LS consiste à dépoyer le monde depuis cette situation. Le travail autour d'une singularité est aussi ce qu'on appelle un devenir minoritaire. Une problématique « minoritaire » est ce qui ne parle pas de tout le monde, mais parle à tout le monde. Les sociétés ne sont pas construites par des majorités discilplinées et normalisées. La majorité c'est personne, la minorité c'est tout le monde : les hommes, les femmes et les écosystèmes sont toujours territorialisés sous une forme minoritaire.
  1.  

  2. Résister, c'est créer. Résister aujourd'hui à la destruction de la vie, des sociétés, de l'écosystème, ne peut pas passer simplement par l'affrontement avec les forces économiques ou autres de destruction. Nous devons créer les nouveaux possibles, car dans la tristesse de nos contemporains, le dépassement de notre réalité est pour le moment inenvisageable.
  3. Résister c'est aussi ne pas désirer le pouvoir, mais déployer la puissance multiple de la vie. L'illusion d'après laquelle ce n'est que depuis des lieux centraux de pouvoir qu'on peut s'émanciper laisse dans l'obéissance et l'attente. Développer la puissance multiple, conflictuelle et contradictoire, permet au contraire d'être, dans chaque situation, producteurs d'émancipation.
  4. Les sociétés contemporaines, désabusées, ayant perdu l'espoir en un paradis sur terre à venir, ne savent plus comment agir envers les tendances et réalités négatives et destructrices. Nous assumons le fait que le négatif est structurel et non accidentel dans le phénomène de la vie sous toutes ses formes. Nous devons apprendre à faire avec le « négatif », sans procéder de façon lâche et égoïste, en identifiant le négatif avec des personnes et des groupes, des cultures ou des religions. Une société qui ne tolère pas le négatif démultiplie la violence et la barbarie, au nom de sauver la civilisation.
  5. La solidarité implique la création de pratiques sociales capables de tourner le dos à la séparation, à la crainte, qui en favorisant l'idéologie de l'insécurité, finissent par détruire les liens sociaux, voire la capacité même de penser et d'agir. Les problèmes sociaux ne peuvent pas, de notre point de vue, se résoudre par l'exclusion, par des murs et par des gardes armés. Pas plus que les problèmes individuels ne peuvent être traités par des molécules chimiques et par le dressage comportemental des personnes. Nous affirmons que la société est tout le monde, et que chaque problème doit être assumé de façon non personnalisée mais comme des problèmes qui se présentent en notre situation, à notre société. Nous nous opposons à l'idée qu'il faille protéger la société de membres considérés comme potentiellement dangereux pour elle : il s'agit plutôt de construire des mécanismes de contention face à ce qui sera toujours le négatif.
  6. A Fortaleza et au Nordeste du Brésil, les UP ou LS émergent d'un groupe de travailleurs de la santé mentale et de travailleurs sociaux qui, constatant que la crise sociale et historique a produit une véritable nouvelle souffrance psychique contemporaine, en déduisent qu'il n'est pas possible de vouloir répondre à cette nouvelle souffrance due au nouveau « malaise dans la civilisation », depuis la seule l'institution psychiatrique. Il s'avère dès lors nécessaire de créer des lieux mixtes au-delà de la psychiatrie, pour pouvoir assumer cette nouvelle souffrance sans la pathologiser et sans faire croire à personne que le malaise actuel pourrait être résolu par des techniques et des techniciens.
  7. Les universités populaires et laboratoires sociaux, centrés sur la question de la santé, doit aussi devenir un lieu de résistance au mode de domination aujourd'hui hégémonique, qui existent sous la forme d'un biopouvoir et d'une biopolitique. Celui-ci consiste dans le contrôle des populations par le contrôle direct des modes de vie, de circulation, consommation, rapport avec son propre coprs, et se sert des savoirs politique et médical pour agir au nom du bien. Développer des pratiques d'émancipation centrées sur la santé est essentiel pour s'opposer à cette nouvelle forme de pouvoir.
  8. On est généralement convaincus que pour agir, il faut un modèle qui nous dise vers où aller et comment y aller. Nous pensons, au contraire, que c'est justement grâce à l'absence d'un modèle et d'une finalité préétablie que de multiples projets ouverts ainsi que de multiples pratiques peuvent, de façon contradictoire et conflictuelle, développer différentes façons d'aborder et de dépasser les problèmes de notre époque. Les UP et les LS sont des lieux qui, en résistant à la discipline de l'étiquetage social, permettent que la multiplicité et la multidimensionalité des personnes se déploient à travers un travail de construction de nouveaux possibles théoriques et pratiques. Chaque UP ou LS, au Brésil, en France, en Italie et en Argentine, développe en toute liberté les axes qu'ils considèrent nécessaires, tout en faisant partager aux autres lieux d'expériences leur production.
  9. Aux macro-pouvoirs mondialisés, nouveaux, tristes, séparés, déterritorialisés, nous opposons la solidarité, l'action et la joie.

 

 

haut de page


 

 

 

Les « porteurs de troubles mentaux » : une question de mots ?

 

Lorsque nous avons, au Ceara, avec les membres du futur réseau international d’Universités populaires et Laboratoires sociaux (les Drs Marluce Oliveira et Arminda Rodrigues, de l’institut Vandick Ponte, le Dr Henrique Figueiredo Carneiro, de l’UNIFOR, et les Drs Cleide Carneiro et Jackson Coehlo Sampaio, de l’UECE), rédigé le manifeste du réseau à venir, il nous est venue une petite controverse. Là où, avec Miguel Benasayag, nous parlions de maladie ou de souffrance psychique, ils préféraient quant à eux parler de « porteurs de troubles mentaux ». S’agit-il d’une simple question de mots ou de quelque chose de plus profond ? J’aimerais montrer dans cet article que nous ne sommes pas là face à une simple querelle de mots, mais à toute une représentation, relativement nouvelle, de la maladie et de la souffrance psychique, au puissant pouvoir normalisateur.
De prime abord, parler de « porteurs de troubles mentaux » semble très progressiste. En effet, si quelqu’un est « porteur » de quelque chose, cela signifie que cette chose ne fait pas partie de lui : il n’en est que le porteur, elle ne fait donc pas partie de son identité. Parler de personne « porteuse de troubles mentaux » semble indiquer que, si cette personne présente des troubles mentaux, il ne faut pas pour autant l’identifier à ces troubles. La notion de « troubles », elle-même, implique une extériorité de la personne relativement à ce qui trouble son état de santé. C’est l’état de santé qui est normal.
On rejoint ici l’esprit de la classification actuelle des troubles mentaux (DSM), qui se contente de profiler des comportements sans jamais mettre la personne en cause. Tout se passe comme si un trouble s’était emparé d’elle, que nous pouvons repérer extérieurement et diagnostiquer. Extrait du DSM IV, rubrique « trouble de la lecture » : « les réalisations en lecture, évaluées par des tests standardisés passés de façon individuelle mesurant l’exactitude et la compréhension de la lecture, sont nettement au-dessous du niveau escompté compte tenu de l’âge chronologique du sujet, de son niveau intellectuel (mesuré par des tests) et d’un enseignement approprié à son âge. Cette perturbation interfère de façon significative avec la réussite scolaire ou les activités de la vie courante faisant appel à la lecture. » Dans cette description, nulle part la personne n’est identifiée au profil comportemental du trouble observé. Ex : lorsque son niveau intellectuel est mentionné, il est immédiatement précisé que ce niveau a été mesuré par des tests : autrement dit, ce n’est rien de substantiel (Binet, l’auteur du fameux test de QI, ne disait-il pas lui-même que « l’intelligence est ce que mesure mon test » ?).
Par ailleurs, il faut savoir que ce vocabulaire n’est pas du tout le fait du hasard : il renvoie au contraire à une conceptualisation très précise de la santé, de la maladie et du handicap, fondée sur les travaux de Wood dans les années 80, et qui donna lieu à une refonte totale de la fameuse classification mondiale de la maladie produite jusqu’ici par l’OMS. Wood introduit l’idée qu’il y a différents plans d’expérience et qu’il faut donc envisager la question de la santé et de ses « limites » sur ces différents plans. De son point de vue, parler de maladie ou de handicap est trop simpliste si l’on ne sait pas à quel plan d’expérience on se situe. L’attitude la plus objective consisterait à partir du « problème de santé », autrement dit de quelque chose « d’anormal » qui se produit à l’intérieur de l’individu et se manifeste par des signes. Au niveau du diagnostic, trois plans d’expériences se dégageraient alors : le premier est celui des fonctions organiques (fonctions psychologiques comprises), le second, celui des activités (impliquant l’exécution d’une tâche par une personne) et le troisième, celui de la participation autrement dit de l’implication de la personne dans une situation de vie réelle. Wood propose d’appeler le dysfonctionnement du 1er plan « déficience », celui du 2ème « limites d’activités », et celui du 3ème « restriction de participation ». Il explique qu’on peut très bien avoir une déficience sans avoir de limites dans ses activités (cas du lépreux), mais qui engendre une restriction de participation (cas du diabétique). On peut avoir des limitations d’activité sans présenter de déficience, ou encore des restrictions de participation sans déficience ni limitation d’activité (cas du séropositif n’ayant pas encore déclenché la maladie, ou encore de l’ancien patient de psychiatrie qui sort d’un hôpital psy).
Ce langage semble très progressiste dans la mesure où, loin de vouloir stigmatiser la personne malade ou handicapée, il repose au contraire sur l’idée que la santé ne s’arrête pas là où commence le handicap. Tout être humain peut avoir une santé défaillante et, de ce fait, souffrir d’un handicap. Le handicap est une expérience universelle. La nouvelle vision de la santé et du handicap ne se focalise plus sur la cause et lui préfère l’analyse des impacts ; elle n’identifie plus la personne à son handicap ou à sa maladie, mais préfère l’analyse du rapport de l’état de santé de la personne à son environnement : étant donné tel environnement, la personne est-elle, oui ou non, capable de s’adapter ? Elle place en fin de compte tous les états de santé sur un pied d’égalité. Mais si je dis « semble », c’est que cet aspect progressiste n’est pour moi qu’une façade.
En effet, cette vision implique la représentation sous-jacente d’un « homme sans qualités », tabula rasa, pur « porteur » des troubles dont il est affecté, pâtissant de ceux-ci, par définition. Prenons l’exemple d’un sourd : selon cette vision, il est affecté de déficiences (organiques) qui entraînent des limitations d’activités ainsi que des restrictions de participation. Quel que soit le plan d’expérience envisagé, on considère ici que la personne, affectée de surdité, ne fait qu’en pâtir. Le fait qu’elle soit affectée de surdité ne fait pas partie d’elle, la surdité ne fait pas partie de son identité. Or est-ce là une vision réellement progressiste ? Beaucoup de sourds répondraient que non, dans la mesure où cette vision se rapporte à une norme extérieure : le sourd est vu comme déficient relativement à la norme selon laquelle un organisme humain doit entendre. Il est vu comme limité dans ses activités, du point de vue de la norme selon laquelle parler est une activité normale. Il est vu comme restreint dans sa participation du point de vue de la situation normative suivante : il faut parler pour aller à l’école. Autrement dit, il s’agit d’une vision ultra normative qui classifie l’univers total de la vie humaine au nom du bien-être et de la bonne vie, et lit tout ce qui s’en écarte comme affection extérieure à la personne, comme pur pâtir, comme manque.
Cela dit, ce qui permet aux Sourds de faire cette analyse et de porter cette critique, c’est leur expérience d’être « affecté » par ce qui, du point de vue de la norme, est vu comme un manque, sans nécessairement en pâtir. Un Sourd de naissance, en effet, ne « manque » pas de l’ouïe. Affecté (= mode d’être) de surdité, il peut au contraire « agir » sa surdité : apprendre la langue des signes, développer un théâtre sourd, une psychologie sourde, un cinéma sourd, des manières de penser et d’agir sourdes, bref une Culture sourde. Du reste, c’est l’existence de cette culture qui permet aux Sourds de ne pas systématiquement pâtir de leur surdité. Ce que le Sourd a de moins que l’entendant est évident, ce qu’il a de plus, peu de gens s’y intéresse. Les Sourds nous apprennent donc, par leur exemple, qu’on ne pâtit pas nécessairement de ce dont on est affecté. C’est bien plutôt le contraire : c’est par nos surfaces d’affectation que nous pouvons agir, et c’est pourquoi l’homme sans qualités est une figure profondément réactionnaire. Un homme sans qualités est un homme qui, sans tropismes, affinités électives, comportements ni qualités propres, ne peut (c’est logique) que pâtir de ce dont il est affecté.
Vue sous cet angle, l’idée que nous serions tous des handicapés potentiels n’apparaît plus du tout comme progressiste. En effet, cela revient à dire que les êtres humains sont tous susceptibles de s’écarter de la norme, dans toutes les dimensions de leur existence, et qu’il faut donc, au nom du bien-être et de la bonne vie, les aider à s’en sortir et à rejoindre la norme. Si, dans la vision réactionnaire classique, on ne peut que pâtir, porter sa croix, de façon déterministe, la figure de la réaction moderne nous propose un supermarché où on peut changer notre croix à volonté. C’est ce que Michel Foucault appelait un biopouvoir, prédisant que cette forme de micro pouvoirs, avançant au rythme de la gestion fine des modes de vie et des comportements au quotidien, était en train de prendre le pas sur les autres formes de pouvoir (souverain et disciplinaire). Et ce, sans qu’on s’en méfie outre mesure, puisque ce pouvoir-là avance au nom du bien et semble non stigmatisant. Parler de personnes « porteuses de troubles psychiques », c’est quand même autre chose que de parler de « fou », de « malade mental » ou de « débile léger » !
Oui certes, mais on oublie une dimension fondamentale de l’existence, qui est qu’être affecté, y compris de « négatif » (surdité, phobie, angoisses, fantasmes, discriminations, chômage…), n’implique pas systématiquement d’en pâtir. Bien sûr, nous pâtissons davantage dudit « négatif » que dudit « positif ». Mais d’un autre côté, nous n’agissons jamais depuis une surface lisse, non affectée, telle que la vision actuelle de la santé s’imagine « l’état de santé ». Nous agissons en fonction de nos surfaces d’affectation. C’est en tant que bègue que Démosthène est devenu orateur, c’est en tant qu’épileptique que Jules César est devenu le grand empereur dont l’humanité garde éternellement la mémoire, c’est en tant que Sourd que Beethoven est devenu un grand compositeur, c’est parce que Louis Braille était aveugle qu’il a créé le braille, les sourds ont inventé la langue des signes parce qu’ils étaient « affectés » de surdité, etc. On pense avec horreur à ce que deviendrait une humanité convaincue que toute négativité est à assimiler à un bagage indésirable. Plus rien ne pourrait être créé au sein de cette humanité-là. Car nous agissons en fonction de nos surfaces d’affectation, que celles-ci soient vues par telle ou telle société, tel ou tel groupe social, telle ou telle norme alors en vigueur, comme quelque chose de négatif ou de positif.
J’entends d’ici les objections : soit, mais que faites-vous des impacts de la norme sur les individus ?  La norme ne peut-elle pas faire souffrir ? Et puis, une norme n’est pas qu’une vision théorique : une société qui est entièrement construite pour des voyants ou des entendants ne fera-t-elle pas matériellement souffrir des aveugles ou des sourds ? D’où l’intérêt de ne pas faire dépendre le handicap et la maladie uniquement de la personne, mais de déplacer le regard sur l’environnement qui fait que cette personne éprouvera des « limitations d’activités » ou des « restrictions de participation ! » Mettre en place des « facilitateurs » permet alors d’avoir un impact efficace sur la maladie et le handicap. C’est quand même mieux que de laisser la personne se débrouiller avec sa souffrance, sous prétexte que celle-ci va lui permettre de se dépasser, de créer, bref d’agir !
Certes. Loin de moi l’intention de défendre l’idée que la personne est bel et bien miro, folle, dure d’oreille, ou éclopée, ou encore, que c’est une débile inadaptée. Qu’il s’agisse d’une norme disciplinaire ou de normes de biopouvoir, il s’agit dans tous les cas d’un pouvoir normatif. En revanche, on peut parfaitement normaliser la personne tout en évitant de la stigmatiser, et ce procédé n’est pas meilleur que l’ancien : il est même plus pervers encore, dans la mesure où il induit une vision de la personne (y compris vision de soi) comme un être sans qualités, pouvant dans l’idéal n’être affecté par rien. La vision que nous proposons à l’UP-LS du Céara, est tout autre : le « handicap » (y compris dans sa classification post-moderne) interroge la société qui produit ces catégories. Lisez les normes de santé aux niveaux organiques, fonctionnels et sociaux, vous verrez que celle-ci implique un idéal normatif très clair. L’homme idéal est l’homme productif, qui réussit, ne tombe pas amoureux et n’a pas de corps ; les « déficiences », « limitations d’activités » et autres « restrictions de participation » quant à elles nous rappellent que nous avons un corps, que l’autonomie ne veut rien dire, que le chômage augmente, la pollution, les maladies émergentes,... Notre société veut nier ces phénomènes, et elle se sert des catégories en question pour les parquer du côté du manque, de l’anormalité, de ce qui ne devrait pas être.
Notre point de vue est inverse : il consiste à dire que la réalité est ce qu’elle est, y compris avec sa charge de « négativité », et qu’il faut assumer les conflits si nous voulons créer et agir. Pour revenir à la psychiatrie : non aux personnes « porteuses de troubles psychiques » et qu’on essayerait d’adapter, dans la mesure du possible, à un environnement normatif ; et oui aux personnes telles qu’elles sont (y compris avec des problèmes psychiques graves), à leur place, intégrées, et avec lesquelles nous voulons créer le monde de demain. Parce qu’on crée, on agit, à partir des surfaces d’affectation qui sont les nôtres. On ne crée pas en niant la maladie, le chômage, l’exclusion, … ou en qualifiant tout cela d’anormalité. On crée depuis ce qui nous affecte (nouvelles demandes psy, maladies émergentes, appartheid soft, désespoir…), en considérant que tout est normal, par une co-création de nous-mêmes et de l’environnement.


Angélique del Rey, pour le réseau international UP-LS.

 


Wood, P.H.N., La classification internationale des handicaps, Paris, Inserm, 1988.

 

Cf la Classification internationale du fonctionnement, du handicap et de la santé, publiée en 2001 par l’OMS et disponible sur internet.

 

 

haut de page


 

 

 

 

UNIVERSIDADE POPULAR DE QUIXADÁ

UNIVERSIDADE POPULAR DE SAÚDE


A Universidade Popular de Saúde é uma experiência local em forma de unidade de ação especifica. São lugares de produção de um saber, ao mesmo tempo estranho e complementar, visando encontrar soluções locais a problemas globais.


Universidade significa o sentido da totalidade com um conjunto de pessoas.
Popular porque tem vocação a ser a mais larga possível, a desenvolver seu campo de atuação no grande perímetro.
Tem a missão de resgatar em um território predefinido os saberes populares e permitir as populações reapropriar-se das suas vidas e dos seus destinos.


Surge por uma iniciativa do Centro de Atenção Psicossocial de Quixadá como estratégia de enfrentamento do sofrimento psíquico na contemporaneidade.
Observamos nos últimos anos uma mudança no perfil da demanda que é encaminhada ao CAPS de Quixadá. Este, implantado em 1993 para realizar a referência da política de saúde mental teve como foco prioritário o enfrentamento das psicoses e a redução das internações em hospitais psiquiátricos. Passados dezessete anos percebe-se que o número de pessoas com diagnóstico de psicose corresponde somente a trinta por cento do total de atendimentos. Prevalece uma demanda de transtornos ansiosos generalizados nem sempre de origem psicopatológica. Percebe-se um adoecimento psíquico que parece estar relacionado à forma de viver da sociedade moderna, e é essa nova demanda que hoje superlotam nossas agendas.
Segundo Benasayag (2005), “o aumento da demanda cuja queixa traz um sofrimento que não é só de origem psicopatológica trata-se de um desconforto generalizado, um sentimento permanente de insegurança e precariedade. A esse mal-estar, freqüentemente os pacientes dão nome de estresse ou depressão”.
A amplitude das questões que envolvem o sofrimento psíquico tem nos levado a questionar a origem desse mal-estar e como nós, técnicos do sofrimento psíquico, devemos enfrentar estes desafios. Que novas práticas poderão dá conta desse fenômeno, visto que as técnicas desenvolvidas para tratar a psicose não têm respostas efetivas para o sofrimento psíquico na contemporaneidade .
É a partir dessas inquietações e da motivação de não nos acomodarmos as praticas sem sentido que se toma a iniciativa de criarmos a primeira Universidade Popular de Saúde do Brasil, implantada na cidade de Quixadá, no estado do Ceará.


CARACTERISTICAS DO MUNICIPIO DE QUIXADÁ

O município de Quixadá distando a 158 km da Capital do Estado, Fortaleza, pertence à Macrorregião do Sertão Central do Estado do Ceará, que é constituída por 21 municípios. Essa Macrorregião circunscreve uma área de 29.683,5 Km², correspondendo a 20,0% do território cearense, mas concentra apenas 7,4% da população estadual, registrando uma baixa densidade demográfica de 19,7 hab/Km², uma das menores do Estado, comparativamente às demais macrorregiões.
 Sua população, segundo dados do IBGE de 2007, é de 76.105 habitantes, dos quais, cerca de 70%, residem no meio urbano, concentrada na sede do município e dispersa em mais 12 distritos: Califórnia, Cipó dos Anjos, Custódio, Daniel de Queiroz, Dom Maurício, Juá, Juatama, Riacho Verde, São Bernardo, São João dos Queiroz, Tapuiará e Várzea da Onça.
Apresenta uma densidade de 37,6 hab/Km², inferior à densidade média estadual, que é em torno de 55,0 hab/Km².
 O município de Quixadá é considerado de porte médio (população entre 50 a 100 mil habitantes) em função da sua população de 76.105 habitantes (2007), que representa 0,93% da população do Estado. As estimativas do IBGE para 2009, entretanto, apontam para Quixadá uma população de 80.447 habitantes.
O município de Quixadá, quase todo assentado no substrato cristalino e com fortes restrições do clima semi-árido para a exploração agrícola e mesmo para a pecuária, apresenta uma situação peculiar e bastante complexa em relação à economia. Por esse motivo depende principalmente do setor terciário (comércio e serviços) que é responsável por mais de 78% do PIB municipal, além de ocupar aproximadamente 59% da população economicamente ativa nesse setor. Vale lembrar que, deste segmento populacional, 51% são trabalhadores autônomos do chamado setor informal. O comércio do município está concentrado no Centro da cidade, o qual recebe semanalmente centenas de moradores das áreas rurais e de municípios vizinhos como Choró, Banabuiú, Ibicuitinga e Ibaretama. Vale ressaltar, o espraiamento do comércio nas áreas urbanas dos distritos, com identificação clara de pequenos negócios e serviços.
A Pecuária é representada principalmente pela avicultura, bovinocultura leiteira, ovinocultura e a caprinocultura. A avicultura, juntamente com o comércio, é o principal setor da economia quixadaense.
O município possui pequenas indústrias alimentícias, de tecelagens e calçadistas. Entre as grandes instalações industriais existe uma fábrica de calçados, a Mississipi Calçados e a usina de Biodisel.
O setor do turismo constitui-se numa grande potencialidade local capaz de alavancar substancialmente as intervenções com vistas ao crescimento econômico sustentável. Além do complexo Açude Cedro/Pedra da Galinha Choca, principal ponto turístico, o município conta com outros atrativos, devendo-se citar: a Pedra do Cruzeiro, a Serra do Estevão/Casa de Repouso São José, o Santuário Nossa Senhora Rainha do Sertão/Serra do Urucum, o Chalé da Pedra e as fazendas Mãe e Fazenda Não Me Deixes, pertencente à família da escritora Rachel de Queiroz. Todos esses atrativos somados a outros possuem forte apelo, especialmente, para a exploração do ecoturismo, devido à beleza de suas paisagens exóticas formadas por monólitos de formação geológica milenar e as peculiaridades de biodiversidade da região. Saliente-se que as condições de pressão atmosférica e da temperatura bem como o relevo, propiciam para Quixadá elevado potencial para a prática de esportes radicais como Vôo livre (parapente e asa-delta), Trikem, Off - road , Rapel, Multem Bike e MotoCross.
Na área da educação, no que se refere à infraestrutura escolar, o município conta com 99 estabelecimentos de ensino, sendo 75 escolas da rede municipal, 09 pertencentes à esfera estadual e 15 escolas exploradas pela iniciativa privada.
No que se refere ao Ensino Superior, Quixadá conta com a Faculdade de Educação Ciências e Letras do Sertão Central - FECLESC, Unidade da Universidade Estadual do Ceará; Um Campus Sertão Central da Universidade Federal do Ceará e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará; Um Pólo da Universidade Aberta do Brasil – UAB e, dois Campi da Faculdade Católica Rainha do Sertão.
Na área do Ensino Médio Profissionalizante, que vem contribuindo, decisivamente, para elevar o perfil tecnológico da mão-de-obra do Município de Quixadá e da região Central, o município dispõe de uma unidade do Centro Vocacional Tecnológico - CVT, ofertando cursos nas áreas de eletricidade, bombeiro hidráulico, irrigação, entre outros.
Quanto à infraestrutura na área da saúde pública, o município de Quixadá conta com 26 Unidades de Atendimento, sendo 02 (dois) hospitais gerais, 16 Unidades Básicas de Saúde da Família, 01 Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), 01 clínica de Fisioterapia, 01 Clinica de Especialidades Médicas, 01 Clínica de Hemodiálise, 01 Centro de Saúde Reprodutiva, 01 Centro de Controle de Zoonose, 01 Centro de Atenção Psicossocial e 01 Hemocentro Regional.
No que diz respeito à atenção básica, o município foi pioneiro na implantação do Programa Saúde da Família, em 1994. A estratégia do PSF prioriza as ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde das pessoas, de forma integral e contínua.   PSF incorpora e reafirma os princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS) - universalização, descentralização, integralidade e participação da comunidade - contribuindo para a redução na taxa de mortalidade infantil, melhoria nas condições de saúde e desenvolvimento das crianças e atendimento preventivo às mães.
Com relação saúde mental o município é referencia na construção de uma política de atenção psicossocial, voltada para a cidadania. O CAPS de Quixadá surge na década de 1990 quando no Brasil, a partir, da portaria 224/92 surgem os primeiros serviços extra-hospitalares de saúde mental.  Sendo o terceiro serviço desta natureza implantado no Estado do Ceará. Serviços esses destinados prioritariamente a pacientes psicóticos, egressos de hospitais psiquiátricos.
Em dezembro de 1993 o CAPS de Quixadá  é implantado  articulado com a sociedade. Ele nasce com o princípio do acesso universal, de ser para a cidade, para modificar a cultura da cidade. “Nasce literalmente na rua”, interagindo com a população, convocando a população a discutir o preconceito e a segregação que envolve as pessoas portadoras de transtorno mental. Já na implantação realiza a sua primeira jornada quixadaense de saúde mental e cidadania a fim de compartilhar com a sociedade a responsabilidade de construir uma política de atenção psico-social. Nos primeiros anos se fez necessário focar no enfrentamento das psicoses, assim, como na redução das internações em hospitais psiquiátricos. O indicador mais significativo foram as reduções de internações para os hospitais psiquiátricos de 100 para 06 a média anual.

DISTRITO DE JUATAMA
A Universidade Popular de Saúde está sendo desenvolvida no distrito de Juatama, escolhido por ter fácil acesso, por ser  de media complexidade em relação aos outros distritos do município e por termos encontrado receptividade da comunidade local.

O Distrito de Juatama, localizado na região centro do município de Quixadá sitiada numa área de 30 Km2 à 16 Km da sede (IBGE, 2005). Densidade populacional – 2.657 habitantes.
Tem dois representantes político na câmera dos vereadores.
Sua atividade econômica é diversificada vai da agropecuária ( criação bovina, caprina e suína), produção de leite e seus derivados, agricultura ( plantio do milho e do feijão). Agro- indústria (política de incentivo ao plantio da mamona), o turismo ecológico e esportivo privilegiado pelas correntes aéreas da “pedra dos ventos” de juatama, para a prática de vôos de asa delta e parapentes.  Infra-estrutura de acomodação e lazer do hotel Pedra dos Ventos na sede do distrito.  Por fim, a industria bioquímica de processamento do Biodisel.
Em Juatama existe 20 estabelecimentos comerciais, dentre lojas de variedades, eletro moveis, bares e o mercado público que promove semanalmente a feira-livre, onde são comercializados produtos derivados das atividades econômicas das localidades e fazendas da região.
O serviço educacional é organizado por três estabelecimentos educacionais: a pré-escola J.M.J atendendo a 184 crianças na faixa-etária entre 02 e 05 anos com seis profissionais de educação, escola de ensino fundamental Renato Carneiro atendendo a partir de seis anos, 447 alunos com um quadro de 12 profissionais da educação no ensino fundamental I e no fundamental II com 366 alunos e o ensino médio conta com 05 salas de aula e faz parte da escola de ensino fundamental e médio Abraão Baquit do bairro Campo Novo da sede do Município, atende a 221 adolescentes num total de 1228 alunos em todos os níveis de escolarização.
Há 03 associações comunitárias: vale de são Caetano ( 170 associados – locatário do DENOCS), associação Jesus Maria José ( paróquia J.M.J, 50 associados) e sindicato do Riacho do Meio ( associação de produtores, leiteiro, e agricultores = 27 familias).
A cultura religiosa se manifesta com: paróquia católica e igrejas adventistas
As manifestações culturais principais são: encontro dos grupos de bumba meu boi na festa religiosa da paróquia que homenageia a sagrada família no mês de março e a carvalhada encontro de agricultores montando cavalos vinho de todas as localidades da região para os festejos de aniversário do distrito no mês de setembro.
O serviço de saúde contempla a política do ministério da saúde no programa de Saúde da Família. Com um posto base devidamente instalado para atender serviços de prevenção e serviço ambulatorial. Com uma equipe de 10 servidores, contendo dentre eles: Clinico geral, Enfermeiro (a), Dentista, Auxiliares e técnicos de enfermagem e 10 agentes de saúde, distribuídas nas localidades.

DELIBERAÇÃO DA CONSTRUÇÃO DA UNIVERSIDADE POPULAR PELO CAPS DE QUIXADÁ

Deliberamos a implantação da UPS a partir de uma identificação de uma crise na sociedade atual, e necessidade de enfrentamento dessa crise, (dentro de uma dimensão ética), observando e interpretando as suas especificidades.
Observamos um aumento da procura no CAPS de Quixadá de pessoas com diagnóstico de ansiedade e “depressão”. Onde realizamos levantamento epidemiológico, analise clinica e critica da demanda do serviço e estudos sistematizados. Posteriormente, foi feito uma articulação com a estratégia saúde da família e comunidade, seguida da identificação dos sintomas e dos usuários em sofrimento psíquico na contemporaneidade.
A partir daí temos organizado o coletivo formado pelas pessoas que correspondem ao perfil.

 

PERCURSO DA CONSTRUÇÃO DA UPSQ

  • 1.Identificação da mudança do fenômeno da demanda para os Serviços de Saúde Mental ( CEDEPSI (2002), CAPS de Camocim (2005), CAPS de Quixadá (2007).
  • 2. Identificação da crise na Saúde Mental (2002 /2007)
  • 3. Desafio dos estudos para compreender e enfrentar a mudança do fenômeno e a crise (2002/2007).
  • 4. Grupo de Estudo ( 2005- Equipe do Instituto Dr.Vandick Ponte, Equipe do CAPS de Camocim, Prof.Dr. Jackson Sampaio, Prof.Reginaldo e o Psicanalista Mardônio Coelho Filho).
  • 5.  Encontro com as teorias de Benasayag, Umberto Galimberti – (Dez- 2007 )
  • 6. Encontro com a teoria de outros autores (Spinoza, Bauman, Ehremberg, Angélique Del Rey , Favoret ).
  • 7. Realização do II Seminário Internacional do Semi-árido (Dez-2008) e do III Seminário Internacional do Instituto Dr. Vandick Ponte (abril-2009).
  • 8. Realizações de supervisões mensais em 2009, em Quixadá e Capistrano, discutindo a temática do Sofrimento Psíquico na Contemporaneidade, as diversas teorias, dúvidas, polêmicas e divergências.
  • 9. Vários encontros com o Prof.Jackson Sampaio,aos sábados, para discutir nossas hipóteses/ percursos dos trabalhadores de saúde mental/ militantes sociais no Brasil / Itália.
  • 10- Vários encontros para discussão/ Supervisão entre as equipes dos CAPS de Quixadá e ESF – Juatama e entre as equipes dos CAPS de Capistrano e as equipes da ESF do município.
  • 11- Vários encontros para discussão entre as equipes dos CAPS de Quixadá,CAPS de Capistrano,  a equipe da CASSI e a equipe do Instituto Vandick Ponte, realizados na sede da CASSI/ Fortaleza.
  • 12-Vários encontros para discussão do NUEP e Supervisão com Prof.Cleide no Instituto Dr. Vandick Ponte.
  • 13- Discussão entre as teorias explicativas e as possibilidades de enfrentamento desta crise nestes diversos encontros.
  • 14. Deliberação pela reorganização dos CAPS (Quixadá e Capistrano).
  • 15. Deliberação pela criação da UPSQ/ Quixadá em Juatama.
  • 16. Elaboração do MAPA da UPSQ.
  • 17. Elaboração da estratégia de desenvolvimento da UPS – Quixadá.
  • 18. Realização de reuniões com os usuários de Juatama, para explicar a construção da UPSQ.).

CONSTRUÇÃO DA UPSQ
Realização do primeiro encontro em 12/11/2009 – foram convidados todas as pessoas identificadas pela estratégia saúde da família com possível diagnóstico do sofrimento psíquico na contemporaneidade. Contamos com a participação de 50 pessoas da comunidade, as equipes ESF e CAPS, e com a presença da Prof. Cleide Carneiro e  do Dr. Miguel Benasayag. Neste primeiro encontro foi discutida a proposta da UPS. Havendo uma boa participação na comunidade.
A partir de então os encontros passaram a ser mensais onde a população do distrito da  Juatama vem discutindo a  problematização da região, muitos dos fatores que contribuem para o seu sofrimento psíquico. Dentre a discussão ilustramos com algumas falas do que seria a UPSQ para eles:

      • “..Troca de experiências”
      • “Não tem Professor/ Tem Facilitadores”
      • “Vamos Aprender”
      •  “Discutir Problemas”
      • “Resolução com mais saúde e menos remédios”
      • “Espaço de discussão dos problemas...”

Com relação aos  problemas que afetam a saúde psíquica e ao bem estar social e mental foram levantados :

    •    “Cidade – Política X Adversidade”
      • “Família – Relacionamentos”
      • “Relações dos Governos”
      • “Segurança – Brigas, Bebidas”
      • “Ociosidade de dia – Lazer dos Jovens”
      • “Falta de Emprego para os Jovens”
      • “Falta de Água e Saneamento...”

Depois de alguns encontros foram escolhidos pela própria UPS três problemas que estavam afetando a saúde da população de Juatama:

    • Falta de saneamento básico
    • Falta de Lazer
    • Falta de trabalho e geração de renda

No dia 26 de agosto deste ano foi realizado o I Seminário  da UPSQ, onde foram citadas estratégias para resolução destes problemas. Estavam presentes a comunidade da Juatama, destacando alguns representante das associações das localidades, trabalhadores  sem terra , fazendeiro,as equipes de saúde do CAPS, NAS, ESF, a Secretária de Saúde e a representante da secretaria do desenvolvimento social.

As estratégias apontadas foram:

    • Lazer para a comunidade
    • Melhor aproveitamento da quadra de esportes para a juventude
    • Grupos de atividade física para a terceira idade
    • Necessidade de água encanada, projeto da adutora para a região
    • Capacitação de cursos oferecidos pelo SEBRAE
    • Cursos de corte e costura
    • Olaria (fazer tijolos,  telhas e vender)
    • Aplicação dos projetos da agricultura local como: plantio do milho e do feijão, apinocultura, produção de leite, capinocultura e etc.

   
Para operacionalizar as estratégias defendidas, foram aprovadas duas comissões:

    • Comissão de trabalho;
    • Comissão de Lazer.
    • Comissão de Saneamento Básico

Será dada a continuidade dos encontros mensais nos quais serão encaminhados os trabalhos das comissões.

 

 

SOLICITAÇÃO DE RECURSOS

No dia 15 de abril do corrente ano, a UPSQ recebeu  mais uma vez o filosofo Dr. Miguel Benasayag e outros pesquisadores franceses. Onde se deu um bom encontro entre comunidade e pesquisadores.  Na ocasião foi solicitado um computador pelos integrantes da universidade como o objetivo de facilitar a comunicação entre eles e os pesquisadores, fortalecendo o intercâmbio entre as Universidade Populares e os Países.
Esse computador será instalado na UBS( Unidade Básica de Saúde), para que todos tenham acesso e ficará sobre a responsabilidade de um membro da UPSQ que também é agente comunitária de saúde.

 

 

haut de page